Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Tico! ;-(


Este gatinho lindo e dócil não era meu, apesar de todos os dias vir pedir comida a minha casa...
Este gatinho lindo e dócil tinha uns donos que nunca quiseram saber dele...
Este gatinho lindo e dócil já andava adoentado, mas nunca quiseram saber...
Este gatinho lindo e dócil piorou drasticamente nestes últimos dias e acabou por ter de levar uma injecção que pôs fim à sua triste sina...
Este gatinho lindo e dócil nunca teria chegado a este estado se tivesse tido uns donos mais humanos...
Este gatinho lindo e dócil teve a sorte, apesar de tudo, de conhecer a minha mãe, que o acarinhou e teve a coragem de o levar, mesmo sem o conhecimento dos donos, à Associação Louzanimales para acabar com todo este sofrimento...
Este gatinho lindo e dócil valia muito mais do que os seus donos, disso não tenho dúvidas!

Este gatinho tinha um nome: Tico!

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

O amanhã é sempre melhor ...

É comum ouvirmos as pessoas mais velhas dizerem que a juventude está perdida e que antigamente é que era bom. Conversas de velhinhos com pantufas de lã nos pés ou de indivíduos que ainda defendem, vá-se lá saber o motivo!, a existência de um novo Salazar para pôr o país na ordem.
Sinceramente, até acho uma certa piada ao modo de pensar dessa gente conservadora, presa ao passado e que se julga detentora da suprema sabedoria. Faz-lhes falta, sem dúvida, uma certa perspectiva histórica, pois já os autores clássicos diziam que os jovens estavam a perder os bons costumes, já não respeitavam os mais velhos e as leis.
Enfim, todas as gerações adoptam o preconceito doentio de que a geração posterior à sua é sempre pior, mas não nos podemos deixar ir em cantigas. Hoje é muito melhor do que ontem. As nossas crianças têm uma educação muito mais completa da que nós tivemos. As nossas crianças não são obrigadas a reproduzir, tal como papagaios, os rios e as serras de Portugal. As nossas crianças aprendem a pensar por elas próprias e a não aceitar conformadamente tudo aquilo que os adultos lhes tentam, a todo o custo, impingir.
Por isso, não dêem ouvidos a todos aqueles que elogiam o “antigamente” de uma forma saudosista.
O amanhã, ainda que não sendo perfeito, é sempre melhor que o ontem!



Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Legislativas

A maioria tem muitos corações, mas lhe falta um coração.

Otto von Bismarck

Terça-feira, Maio 12, 2009

E tu, também és uma besta?!


Domingo, Março 15, 2009

Há coisas que me ultrapassam!

Há dias, e a propósito do então em curso Concurso Nacional de Professores, uma professora de uma das escolas onde dou aulas, mostrou os seus receios e dúvidas face ao preenchimento do formulário de candidatura. Disse-lhe que por vezes também me surgiam algumas dúvidas, mas que o site em questão dispunha de manuais de preenchimento com informações muito úteis e que, por esse motivo, não tinha de sentir qualquer receio. Não a consegui convencer, pois no final da conversa, apenas me disse que lá teria de perder novamente umas horas no Sindicato, para a ajudarem a concorrer. Posto isto só me pergunto: estariamos mesmo a falar de um concurso de professores para supostos professores ou de um concurso de professores para analfabetos?
Há mesmo coisas que me ultrapassam!

Domingo, Março 01, 2009

Associações culturais

As associações culturais, enquanto agentes de transmissão de identidade cultural e transformação social, adquirem extrema importância numa determinada região. O que torna realmente um concelho atractivo é, na minha opinião, a diversidade de ofertas em termos culturais. Desde bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, grupos de teatro, marchas populares, clubes desportivos, entre outros, o importante é existir ofertas para todos os gostos, tentando chegar cada vez mais próximo da população.
O direito à livre associação constitui, assim, uma garantia básica de realização pessoal dos indivíduos enquanto seres sociais, e é pena que, actualmente, o associativismo tenha vindo a perder terreno na sociedade. São cada vez menos as pessoas que fazem parte de um grupo cultural, que dão um pouco de si em prol da comunidade em geral, sem que, para isso, tenham de receber algo em troca.
Sempre reconheci a importância das associações culturais na formação plena dos indivíduos, mas isso sou eu, que tive a sorte de ter pais que estiveram sempre ligados a associações e me incentivaram a isso. No entanto, e porque “não há bela sem senão”, não posso deixar de manifestar o meu total desagrado por alguns aspectos que vão caracterizando, de uma maneira geral, algumas associações e que prejudicam, a meu ver, o seu bom funcionamento e credibilidade das mesmas perante a população em geral. Sem mais rodeios, dizer que abomino todo e qualquer aproveitamento dos bens materiais das associações em benefício pessoal; todas aquelas pessoas que, por pertencerem à família ou serem amigas de elementos que fazem parte das colectividades, se acham no direito de acompanhar os grupos, sejam eles folclóricos, teatrais, ou o que quer que sejam, para qualquer sítio que vão, comendo e bebendo à custa do grupo ou da organização que os convidou, e achando-se com os mesmos (ou mais, até!) direitos do que os que dele fazem parte; todas aquelas pessoas que criam cargos que nunca existiram nas colectividades, ou que nunca foram necessários, apenas com o objectivo de fazerem incluir nos grupos pessoas que, de outra forma, nunca lhes pertenceriam.

Bárbara Quaresma (sócia executante de uma colectividade há dezassete anos, por mérito próprio, claro!)

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Esquerda, by José Saramago

Temos razão, a razão que assiste a quem propõe que se construa um mundo melhor antes que seja demasiado tarde, porém, ou não sabemos transmitir às pessoas o que é substantivo nas nossas ideias, ou chocamos com um muro de desconfianças, de preconceitos ideológicos ou de classe que, se não conseguem paralisar-nos completamente, acabam, no pior dos casos, por suscitar em muitos de nós dúvidas, perplexidades, essas sim paralisadoras. Se o mundo alguma vez conseguir ser melhor, só o terá sido por nós e connosco. Sejamos mais conscientes e orgulhemo-nos do nosso papel na História. Há casos em que a humildade não é boa conselheira. Que se pronuncie bem alto a palavra Esquerda. Para que se ouça e para que conste.
Escrevi estas reflexões para um folheto eleitoral de Esquerda Unida de Euzkadi, mas escrevi-as pensando também na esquerda do meu país, na esquerda em geral. Que, apesar do que está passando no mundo, continua sem levantar a cabeça. Como se não tivesse razão.
Publicado em O Caderno de Saramago